Carta Aberta REDESCEC Sustentabilidade

De:

Rede Santa Cruz de Ecologia e Cultura (REDESCEC)

Para:

Poder Público
Mundo

Aracruz, 04 de junho de 2025.

Assunto: Ecologia e Cultura

Carta Aberta REDESCEC Sustentabilidade

Rede Santa Cruz de Ecologia e Cultura (REDESCEC) OSCIP

Em defesa do Desenvolvimento Sustentável com base na Cultura, na Ecologia e na Justiça Social

A Rede Santa Cruz de Ecologia e Cultura (REDESCEC), Organização Social Civil de Interesse Público (OSCIP), respaldada por sua IV Assembleia Geral Ordinária (AGO), vem a público reafirmar seu compromisso institucional com os princípios e práticas do desenvolvimento sustentável como eixo orientador de ações sociais, culturais, econômicas e ambientais nos territórios de afluência do Rio Piraquê-açu, no Espírito Santo.

Compreendemos que a sustentabilidade não se limita à conservação ambiental, mas é uma estratégia transversal que articula justiça social, economia solidária, fortalecimento de territórios e respeito às culturas locais. Para nós, ela é o princípio orientador de uma sociedade viva, saudável e solidária.

Reforçamos nosso engajamento com a economia circular, reconhecendo seu potencial transformador na redução de desperdícios, reaproveitamento de recursos e incentivo à inovação social. O modelo linear, predatório, é incompatível com o futuro que queremos construir. Propomos fluxos sustentáveis de produção, consumo e distribuição, alinhados com práticas justas e regenerativas.

Acreditamos no poder da atuação em rede como forma de fortalecer comunidades, integrar saberes, compartilhar responsabilidades e multiplicar resultados. A REDESCEC é um organismo coletivo e colaborativo, que valoriza alianças interinstitucionais, comunitárias e territoriais como fundamento de sua missão.

Nossa atuação está alinhada com a Agenda 2030 da ONU e seus 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), os quais norteiam nossa visão de mundo: erradicar a pobreza, proteger o planeta e assegurar dignidade e bem-estar a todas as pessoas, sem deixar ninguém para trás.

Enxergamos no turismo de natureza, de experiência e de base comunitária um caminho ético e sustentável de valorização dos territórios. Essas modalidades respeitam os modos de vida locais, geram oportunidades com baixo impacto ambiental e promovem experiências transformadoras entre visitantes e comunidades anfitriãs.

Defendemos a geração de trabalho e renda com base em práticas sustentáveis, criativas e solidárias.

O fortalecimento de cadeias produtivas locais, o estímulo ao empreendedorismo cultural e ecológico e o reconhecimento das economias tradicionais são estratégias de emancipação e justiça econômica.

A educação ambiental, crítica e libertadora, é instrumento essencial para a transformação da realidade. Ela promove consciência, engajamento e responsabilidade cidadã na defesa do meio ambiente, das culturas e dos direitos coletivos.

Promovemos a integração entre cultura e ecologia, entendendo que são dimensões indissociáveis da vida humana. Cuidar da natureza é também cuidar da memória, da linguagem, da arte e dos símbolos que dão sentido à existência nos territórios.

Assumimos a defesa incondicional da preservação dos recursos naturais, especialmente na bacia hidrográfica do Rio Piraquê-açu, combatendo práticas que ameacem sua integridade ecológica. Água, solo, fauna e flora não são mercadorias — são bens comuns.

Reafirmamos nosso compromisso com a preservação dos recursos culturais imateriais e materiais. Celebramos os saberes ancestrais, os modos de vida de povos originários ou de comunidades tradicionais e os patrimônios culturais locais como pilares da identidade e da resistência territorial.

Valorizamos os verdes — florestas, campos, agroecossistemas — como reservas de vida, saúde e equilíbrio climático. Proteger a vegetação nativa é proteger as raízes do futuro.

Reconhecemos nas águas um bem sagrado e vital. Lutar pela saúde dos rios, nascentes, manguezais e estuários é uma tarefa civilizatória. O Rio Piraquê-açu é um patrimônio vivo que pede cuidado, escuta e reverência.

As culturas locais, em sua pluralidade e riqueza, são patrimônios inalienáveis da humanidade. São elas que definem os sentidos de pertencimento, memória e coletividade. Apoiar as expressões culturais é preservar a alma dos povos.

A participação o social é o princípio fundante da democracia. Reivindicamos processos decisórios transparentes, com controle social, escuta ativa e protagonismo das comunidades nos rumos do desenvolvimento de seus territórios.

A equidade é o eixo moral da nossa atuação: combater desigualdades, reconhecer vulnerabilidades históricas e assegurar justiça para grupos minorizados e marginalizados. Não há sustentabilidade sem justiça.

Reiteramos a importância de políticas públicas de assistência social, educação e saúde como direitos fundamentais e estruturantes da cidadania. Essas áreas devem estar articuladas às estratégias territoriais de cultura e ecologia.

Por fim, afirmamos que nossa caminhada está comprometida com os princípios do futuro ambiental, social e de governança — Enviromental Social Governance (ESG) —, adaptados à realidade dos territórios, das comunidades e da diversidade brasileira. Entendemos ESG como ética viva e integrada, guiando o presente rumo a um amanhã justo e regenerativo.

Essa carta se ancora na deliberação do Conselho Administrativo Rede Santa Cruz de Ecologia e Cultura (REDESCEC) para aprovação de manifestação pública após decisão em assembleia geral pela adoção dos seguintes marcos jurídicos e programáticos nacionais e internacionais como referências orientadoras para nossa atuação: “Carta das Nações Unidas”, “Convenção 169 OIT”, “Carta do Turismo Cultural”, “Agenda 21”, “Declaração do Milênio”, “Carta Cultural Ibero-americana”, “Plano Nacional de Cultura”, “Agenda 2030”, “Culture | 2030 Indicators”, “Carta Compromisso Movimento Conexão Circular”, entre outros. Esses documentos serão base para a elaboração de outras cartas setoriais públicas, em construção colaborativa com setores comissionais.

Atenciosamente,

Conselho Administrativo Rede Santa Cruz de Ecologia e Cultura (REDESCEC) OSCIP
Sociedade Civil Organizada (SCO)

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